
Amazônia
Sinônimo de energia, dimensão espiritual, aquilo que contém tudo visível e invisível.
A Amazônia é uma floresta tropical incrivelmente vasta e biodiversa, abrigando comunidades em harmonia com a natureza. Além de sua grandiosidade, a região também é reconhecida pela sua importância hidrográfica e cultural, incluindo povos tradicionais com conhecimentos ancestrais de cura e sustentabilidade. A conexão com a natureza na Amazônia pode despertar uma compreensão profunda sobre nossa interdependência e promover a conscientização ambiental. O turismo de base comunitária e religiosa tem sido uma ferramenta importante nesse sentido, permitindo que pessoas de todo o mundo experimentem essa conexão e se engajem na preservação do planeta para as gerações futuras.

Estado do Acre
O Estado do Acre possui 164.173.431 km², correspondendo a 4% da Amazônia brasileira e 1,79% do território nacional, com 85,3% de cobertura florestal original e uma população de cerca de 830.026 habitantes. A maioria (73%) vive em áreas urbanas, concentrados em Rio Branco (44%) e Cruzeiro do Sul (11%). Na área rural, há 16% de extrativistas, 10% de ribeirinhos, 20% de proprietários rurais e 48% de assentados. O estado abriga 16 povos indígenas em 35 terras indígenas, totalizando 23 mil pessoas. As terras indígenas e unidades de conservação formam um mosaico de 7,7 milhões de hectares. A distribuição de hectares por categoria é: Terras Indígenas (14,6%), Reserva Extrativista, Florestas Públicas e Áreas de Proteção Ambiental (22,7%), Projeto de Desenvolvimento Sustentável (0,1%) e Unidades de Conservação de Proteção Integral (9,5%).
A localização estratégica do Acre o torna um ponto importante no extremo sudoeste da Amazônia brasileira, fazendo fronteira com Peru e Bolívia. A construção da Ferrovia Transoceânica, com previsão de 4.900 km de extensão, ligará o Rio de Janeiro ao Peru, reduzindo significativamente (cerca de 10 dias) o tempo de transporte para o Pacífico em comparação com o Canal do Panamá. Isso impulsionará o comércio brasileiro, fortalecendo as exportações para o Norte do Pacífico e Ásia.
O estado está dividido em duas Mesorregiões: a do Vale do Acre (quatorze municípios), composta Acrelândia, Assis Brasil, Brasiléia, Bujari, Capixaba, Epitaciolândia, Manoel Urbano, Plácido de Castro, Porto Acre, Rio Branco, Santa Rosa do Purus, Sena Madureira, Senador Guiomard e Xapuri; e a do Vale do Juruá (oito cidades): Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Rodrigues Alves, Feijó, Jordão e Tarauacá.



Vale do Juruá
A região do Vale do Juruá destaca-se por sua imensa diversidade biológica e cultural. Nessa parte do Brasil, encontramos diversas áreas protegidas, como Terras Indígenas e Unidades de Conservação, que visam preservar o ambiente e garantir os direitos dos povos locais à terra e à sua cultura. A diversidade cultural é evidente nas populações tradicionais e indígenas, como os Ashaninka, Kaxinawá e outros grupos. A demarcação dessas áreas é fruto de lutas históricas lideradas por indígenas e seringueiros, resultando na "Aliança dos Povos da Floresta". O Acre é dividido em duas mesorregiões, com o Vale do Juruá abrangendo 52% do território acreano e 80,6% das terras indígenas do estado.

Cruzeiro do Sul
A cidade de Cruzeiro do Sul, situada no noroeste do Acre, faz divisa com os municípios de Porto Walter, Rodrigues Alves, Tarauacá, Mâncio Lima, Guajará (AM), Ipixuna (AM) e limite internacional com o Peru. Pertencente à regional do Juruá, destaca-se pela biodiversidade e formações geológicas. Com população de 94.345 habitantes, é o segundo maior município do Acre. A formação sociocultural inclui indígenas e migrantes oriundos de várias regiões do Brasil, além de descendentes de sírios, libaneses e peruanos. Sua economia baseia-se em atividades extrativistas, agronegócio e na produção de farinha de mandioca, reconhecida com um selo de Indicação Geográfica. Além disso, é um importante polo turístico devido à sua beleza natural e patrimônio cultural ainda pouco explorado.

PDS Crôa
O Projeto de Desenvolvimento Sustentável Crôa (PDS Crôa), criado pela Portaria nº 34, de 1º de novembro de 2012 (Código SIPRA: AC162000), abrange uma área de aproximadamente 11.753 hectares no município de Cruzeiro do Sul, Acre, com cerca de 80% de sua cobertura florestal preservada.
Localizado às margens do Rio Crôa e com acesso pela BR-364, o território foi concebido para integrar conservação ambiental, ocupação sustentável, fortalecimento comunitário e atividades produtivas de baixo impacto ambiental, respeitando a vocação socioambiental da região amazônica.
A gestão do PDS é compartilhada entre o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), órgãos ambientais estaduais e a associação comunitária local.
Atualmente, cerca de 77 famílias ribeirinhas vivem no território, desenvolvendo atividades ligadas ao agroextrativismo, agricultura familiar, turismo de base comunitária, artesanato, culinária regional, hospedagem, trilhas ecológicas e valorização dos conhecimentos tradicionais da floresta.
A região destaca-se pela rica biodiversidade amazônica, pelas águas escuras características do Rio Crôa e pela presença de espécies emblemáticas da floresta, como a Samaúma, considerada um dos principais símbolos naturais da Amazônia.
O PDS Crôa consolidou-se como uma referência regional em desenvolvimento comunitário sustentável, conservação ambiental e valorização cultural das populações tradicionais amazônicas.

Comunidade Nova Era
Sítio São Sebastião
A Comunidade Nova Era, localizada no Sítio São Sebastião, no Rio Crôa, município de Cruzeiro do Sul -Acre, foi fundada em 27 de janeiro de 2001 por Davi Nunes de Paula, em uma área de aproximadamente 80 hectares, com cerca de 95% de floresta nativa preservada.
O território abriga o Círculo de Regeneração e Fé -Templo Flor da Jurema (CRF Flor da Jurema), além de iniciativas voltadas à valorização dos saberes tradicionais amazônicos, cultivo de plantas medicinais, fortalecimento comunitário e promoção da conexão entre ser humano, natureza e espiritualidade.
A comunidade desenvolve atividades fundamentadas na conservação ambiental, no respeito aos conhecimentos ancestrais e na construção de modos de vida sustentáveis na Amazônia. Ao longo dos anos, consolidou-se como um espaço de acolhimento, intercâmbio cultural e vivências voltadas à espiritualidade, à medicina tradicional da floresta e à sensibilização socioambiental.
Reconhecida pela organização comunitária e pelo cuidado no uso tradicional de plantas medicinais amazônicas, a Nova Era recebe visitantes nacionais e internacionais interessados em experiências culturais, ambientais e espirituais ligadas ao território amazônico.
Desde sua criação, a comunidade também vem estruturando iniciativas voltadas ao turismo de base comunitária e ambientalmente responsável, contribuindo para a valorização cultural do Rio Crôa e para a conservação da floresta amazônica.
